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A descodificação cultural da frase: "a vida não anda para trás"

Sábado, 25.11.17

 

  

O Grande Equívoco procurei descodificar a cultura política do actual governo. Não está lá tudo, como por exemplo, a mesma preocupação pueril de brilhar, de se apresentar como um sucesso, a marca do PS já desde o governo socrático.

É que a preparação laboriosa de um projecto ou de uma iniciativa, o da prevenção e segurança, todo esse trabalho que não se vê porque é suposto não se ver, precisamente porque é discreto, isso já não interessa.

Fui, no entanto, um pouco injusta com os partidos que o apoiam na AR. São territoriais, é um facto, têm um eleitorado mais urbano e sindicalizado, é um facto, mas deve-se à sua participação a possibilidade das pessoas e das famílias verem a devolução do que lhes foi retirado.

 

Reparem na resistência do PS a contar os anos de serviço anteriores ao governo-troika. Queriam limpar os anos do governo socrático. Reparem nas frases reveladoras da sua cultura política que não mudou com os acordos de esquerda: A vida não anda para trás... Pôs-se o cronómetro a andar... Não podemos voltar aos adquiridos... 

Pacheco Pereira descodifica esta cultura política na Quadratura do Círculo, como uma mentalização que nos tem sido transmitida desde o governo socrático, e depois no "vivemos acima das nossas possibilidades". Uma certa elite que quer manter o status quo. O que nos coloca numa certa ausência de perspectivas de futuro.

Há uma continuidade na mensagem que atravessa vários governos, porque o empobrecimento geral inicia-se no governo socrático. Por coincidência, Pacheco Pereira já o tinha percebido há 10 anos: "estão a empobrecer-nos".

 

A cultura é a mesma. Como disse Jerónimo: "Se o governo fosse de uma maioria PS e governasse sozinho não haveria estas devoluções." Concordo.

Deve-se, pois, ao BE e ao PCP as tais "preocupações sociais" de que o PS se quer vangloriar. Estivesse o PS a governar sozinho e teríamos de esperar pelo próximo governo. Centeno viria apresentar a contabilidade nas sessões parlamentares enquanto prepara a sua imagem de ministro virtuoso para o Eurogrupo.

Durante o governo anterior, o actual PM dizia que era preciso fazer finca-pé à Europa, não aceitar tudo, mas isso ficou na gaveta.

As cativações do ministro ilusionista não eram para fazer face a nenhum imprevisto que estivesse relacionado com uma emergência humana. Se fossem, as vítimas dos incêndios teriam sido de imediato apoiadas financeiramente, pois há muitas formas de obter esses valores posteriormente, das seguradoras e de outros mecanismos. O que vimos acontecer foi a ajuda mútua das populações, a nossa cultura comunitária.

 

A resistência a um equilíbrio social, querendo baixar o nível das expectativas legítimas porque no privado se ganha ainda pior, revela que a cultura das elites políticas não mudou nada. Em vez de se questionarem sobre a possibilidade de tornar o país economicamente viável para os seus habitantes, não, apenas se preocupam se o país é financeiramente viável para o Eurogrupo, a UE, o BCE, o FMI e as agências de rating.

E a maior parte do nosso patronato, os associados da CIP, em vez de se irem queixar a Bruxelas do OE2018 em relação à subida do salário mínimo, também se deviam questionar se uma empresa que não pode pagar o SM de 600 Euros é uma empresa viável. Na perspectiva de uma economia equilibrada e sustentável, não é. E nesse caso, deveriam sim ir queixar-se do preço insustentável da energia.

 

Exercício útil para as elites políticas, financeiras, administrativas, empresariais, e comentadores televisivos:

 

No dia 1 de Janeiro levantam da continha bancária a quantia de 600 - 66 (Seg. Social) = 534 Euros. Claro que as despesas debitadas pelo banco mensalmente, a vossa almofadinha, estão asseguradas, o que não acontece com a maior parte dos mortais a viver do SM. Os jovens mantêm-se na casa dos pais, por exemplo.

No dia 31 de Janeiro elaborem um pequeno relatório sobre a referida experiência, avaliando a baixa de expectativas numa escala de 1 a 10.

Finalmente, partilhem as vossas ideias, numa pequena exposição intitulada: como sobreviver com 534 Euros por mês quando não se tem uma almofadinha.

 

Este exercício já vos coloca algumas questões importantes sobre o equilíbrio social numa sociedade democrática.

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 12:32








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